segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Só, condenado a uma imagem que não é, ausente de si mesmo, sempre distante de onde está, exilado em uma ilha, procurando por algo que nunca esteve ao seu lado e talvez jamais esteja, buscando nos lugares mais escuros um razoável motivo para continuar, simplesmente por continuar, como tudo lhe parece impossível, é do impossível que ele continua vivendo, rindo do desespero, cada vez mais entregue aos vícios que não suprem mais a falta que ele sentia , já que neles ele se escondia para não encarar o abismo de si, o grande vácuo entre ele e o mundo, os sentimentos e as pessoas (...)
Nesses dias de reflexão, dias infelizes que insistem em continuar, ele se sente como uma tela em branco, prestes a ser pintada, a tinta fresca, os sentimentos à flor da pele, as idéias na cabeça, tudo ali, pronto para que a pintura desse certo, mas que por algum motivo não deu, por algum motivo a tela foi esquecida no fundo do porão de algum ateliê, sujo, frio, escuro, pó, teias, cinzas...um quadro triste de vinte anos (...)

Gil F.

Um comentário:

  1. Tão triste ler esse texto. Porque o texto me decifra. E decifra minha tristeza estampada. Estampada no quadro manchado e esquecido que virou minha vida depois que uma ventania passou e derramou tinta preta nele manchondo tudo - planos e sonhos. Unica coisa que me restavam.

    Agora so resta a esperança de que seja doce mesmo né Gil. Que seja doce. rs

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    http://emcadapoco.blogspot.com/

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