quinta-feira, 30 de setembro de 2010

"Deus, põe teu olho amoroso sobre todos os que já tiveram um amor, e de alguma forma insana esperam a volta dele: que os telefones toquem, que as cartas finalmente cheguem … Sobre todos aqueles que ainda continuam tentando, Deus, derrama teu Sol mais luminoso.”

Há Dias...

É que tem dias mais secos, mais ásperos: dias em que é difícil até mesmo trazer alguma seiva lá de baixo.
Nesses dias, nada me toca ou compreende: o frescor sagrado dos pães, a sinfonia surda das águas, o grito preto do café sobre a mesa. Nem mesmo o cigarro me quer ou fascina.
São dias em que ando tonta por cômodos escuros, esgueirando-me por paredes, cuidadosa a cada passo. Dias em que tudo me exaspera: meu riso, meu choro, meus copos... E é quando me canso de mim: de meu tom, dessa secura que me toma, da estranheza que floresce em cada quarto... desse meu secreto modo de estar entre os esgotados, os desvalidos. Entre os que desfilam, sedentos, no desconcerto do mundo...
"Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra" Caio F.


 Juntos caminhamos em nosso deserto, onde todos nos observam, mas raros podem entrar, escondemos as lágrimas, erguemos a cabeça e brindamos a qualquer coisa que seja , talvez por termos nos encontrados e sabermos que sentimos e enxergamos a vida desta bendita/maldita forma de ser e sentir, penso com o carinho que me é negado, que em nossos momentos eu quase me sinto feliz, digo isso porque não entendo essa tal felicidade que insistem em procurar e digo quase, porque  tudo na minha pequena vida é um quase, e assim completo de dúvidas, ausente de respostas e quase sempre embriagado,  que penso em você, e te sinto, e te quero bem e te Amo Antônio Carlos Júnior.


terça-feira, 28 de setembro de 2010

Escuridão e umidade, calor rijo do teu corpo contra a minha coxa, calor rijo do meu corpo contra a tua coxa. Amanhã não sei, não sabemos.

Tinha desejos violentos, pequenas gulas, ciúmes que doíam, urgências perigosas, enternecimentos melados, ódios virulentos.
Ouvia canções lamentosas, bebia para despertar fantasmas distraídos,
chorava excessivamente, relia ou escrevia cartas apaixonadas,
transbordantes de rosas e abismos.
Exausto então, afogava-se num sono por vezes sem sonhos...

Caio F.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

E de qualquer forma, às cegas, às tontas, tenho feito o que acredito, do jeito talvez torto que sei fazer..

Sou ariano. E ariano não pede licença, entra, arromba a porta. Nunca tive medo de me mostrar. Você pode ficar escondido em casa, protegido pelas paredes. Mas você tá vivo, e essa vida é pra se mostrar. Esse é o meu espetáculo. Só quem se mostra se encontra. Por mais que se perca no caminho.

Queria que você gostasse de mim por mim. Caótico, distraído, perigosamente despreocupado. Meio despenteado, tão preocupado com coisas vagas. Queria que você também se encantasse com minhas imperfeições, os trejeitos que nem vejo, meus vícios e virtudes, Eu sei o que você pensa quando olha pra mim. Talvez se eu fosse mais comportada, falasse mais baixo e não chamasse tanta atenção. Talvez se eu bebesse um pouco menos, te desse menos trabalho e não fosse tão do agora. [...]
Talvez haveria alguma possibilidade.

Não compreendo como querer o outro possa pintar como saída de nossa solidão fatal. Mentira, compreendo sim.

"A solidão desola-me; a companhia oprime-me. A presença de outra pessoa descaminha-me os pensamentos; sonho a sua presença com uma distracção especial, que toda a minha atenção analítica não consegue definir."

(Fernando Pessoa)

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

''Penso em você apesar de não sentir sua falta e muito menos sua presença. penso em você porque sinto um vazio, que eu não sei do quê e nem por quê...''

"quase analfabeto de si mesmo sem vocabulário suficiente para explicar-se sequer a um espelho...!"

(Porta Retrato, Caio F.)
"Estranho é que não escolhi. Não consigo precisar o momento em que escolhi. Nem isso, nem qualquer outra coisa, nem nada. Foram me arrastando. Não houve aquele momento em que você pode decidir se vai em frente, se volta atrás, se vira à esquerda ou à direita. Se houve, eu não lembro. Tenho a impressão de que a vida, as coisas foram me levando. Levando em frente, levando embora, levando aos trancos, de qualquer jeito. Sem se importarem se eu não queria mais ir. Agora olho em volta e não tenho certeza se gostaria mesmo de estar aqui. Só sei que dentro de mim tem uma coisa pronta, esperando acontecer.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

e eu não tive tempo de dizer que quando a gente precisa que alguém fique a gente constrói qualquer coisa, até um castelo.”

E de vez em quando tudo o que a gente quer é mesmo dar um tempo da vida .
E decidiu : Vou viajar . Porque não morri, porque é verão, porque é tarde demais e eu quero ver, rever, transver, milver tudo que não vi e ainda mais do que já vi, como um danado, quero ver feito Pessoa, que também morreu sem encontrar . Maldito e solitário, decidiu ousado : Vou viajar .



é tudo que eu mais queria, quero.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Aí teve aquela cena também, De quando eu fui te dar tchau.(...)
E você olhou e me perguntou: não to esquecendo nada?
E eu quis gritar: tá, tá esquecendo de mim.
E você depois perguntou: não tem nada meu aí?
E eu quis gritar: tem, tem eu.
Eu sempre fui sua
 

Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sabe extamente quando termina (...)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

"Porque no fundo eu sei que a realidade que eu
sonhava afundou num copo de cachaça e virou utopia."

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Ontem foi aniversário de uns dos grandes e poucos amores da minha vida, Caio Fernando Abreu, se ele estivesse vivo, estaria fazendo 62 anos de idade, pensando melhor Caio estará vivo para sempre, ele esta vivo na vida das pessoas que o lêem, eu por exemplo, Caio é vivo em mim todos os dias, nunca me esqueço da primeira vez que li seu vonto, "À beira do mar aberto" ,você me invadiu de um jeito, não conseguia acreditar como uma pessoa vivia, pensava, sentia, sonhava exatamente da mesma forma que eu, e dividia todo essa fardo de uma forma maravilhosa, escrevendo com todo o amor e a saudade de sempre, desculpa a minha audácia de tentar escrever alguma coisa pra você, o Melhor escritor, agradeço por você existir, e não me deixar sozinho, não há um dia que eu acorde e não pense em uma frase, trecho, ou um conto seu. Hoje o que eu mais queria era poder te abraçar, te tocar, ouvir tua voz, qualquer coisa que viesse de você, queria poder deitar no teu colo e chorar, chorar até esvaziar, sei que não precisaria te dizer uma palavra para que você soubesse o porque do meu choro, e isso é o que eu preciso, mas aperto forte os teus livros e sei que você esta ali. 
Mas como você me ensinou "no que depender de mim me recuso a ser infeliz", nós só queriamos ser feliz né Caio.

Meu amor, CFA.


"... que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria.Tomara que apesar dos apesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz."
Depois deito, depois durmo, depois acordo e

passo uma semana a banchá e arroz integral, absolutamente santa,

absolutamente pura, absolutamente limpa, depois tomo outro porre, cheiro

cinco gramas, bato o carro numa esquina ou ligo para o cvv às quatro da

madrugada e alugo a cabeça dum panaca qualquer choramingando coisas tipo

preciso-tanto-uma-razão-para-viver-e-sei-que-essa-razão-só-está-dentro-de-mim.
“vai clareia um pouco a cabeça, já que você não quer conversar e quando você voltar, tranque o portão, feche as janelas, apague a luz e saiba q te amo"


(Legião Urbana)

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Tenho tentado aprender a ser humilde. A engolir os nãos que a vida me enfia pela goela a baixo. A lamber o chão dos palácios. A me sentir desprezado-como-um-cão, e tudo bem, acordar, escovar os dentes, tomar um café e continuar.
"sempre há alguma coisa que falta. guarde isso sem dor, embora, em segredo, doa"

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

- Que coisas - eu perguntei em voz baixa -, que coisas você pensa?


Ele passou a mão pela parede branca:

- Deitar do lado dele. Sem roupa. Abraçá-lo com força. Beijá-lo. Na boca. - Crispou a mão na parede e puxou-a para junto do corpo, para o meio das pernas. - Deve ser o vento norte, esse excesso de luz, a primavera chegando, a lua quase cheia. Não sei, desculpe. Eu estou muito confuso.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Quando vai dando assim, tipo umas onze da noite, o horário que a gente se procurava só pra saber que dá pra terminar o dia sentindo algum conforto. Quando vai chegando esse horário, eu nem sei. É tão estranho ter algo pra fugir de tudo e, de repente, precisar principalmente fugir desse algo. E daí se vai pra onde?
Nunca, jamais, diga o que sente. Por mais que doa, (...).


Quando sentir algo muito forte, peça um drink.