quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
não quero mais ter que voltar aqui, seu eu não me sentisse tão só e fudido e abandonado e mal amado e "iludido" e todo o resto dessa merda que sobrou pra mim, isso aqui não existiria, seria bonito se tudo que eu postei aqui fossem apenas palavras, mas não, eles são reais, isso aqui são os sentimentos dessas almas fudidas como a minha, a tal porra do amor, se pelo menos disso tudo saísse alguma coisa boa eu respeitaria, até me distruiria menos, mas não, veja só, o que resta é a lágrima de choro no papel, o verso triste de algum cd do Legião, aquele que sabemos inteiro, o infinito cigarro, a embriaguez na madrugada, o alcool tentando matar aquilo que deve morrer em você, mas ao contrário disso, desperta todas as manhãs assim que você acorda de ressaca e lembra da noite anterior em que você fez de tudo pra esquecer o maldito que te fez sentir daquele jeito e não consegue, porque o primeiro pensamento é dele, é sobre ele, é pra ele, e o último também, então não contente em me machucar ainda mais, eu auto-destruidor de mim mesmo, ligo o som e ouço "Memória da pele" cantado por Bethânia, quem conhece sabe, não vou explicar a letra, mas nela diz tudo o que eu sempre tento fazer e claro não consigo, o que eu consigo é fazer tudo errado, é sempre me sentir culpado por ter amado demais, amar errado, amor exilado, só pra terminar, já que nada continua, a voz de Renato na minha cabeça a cantar "E me diz: pra mim o que é que ficou?", eu mesmo respondo, meu ódio transbordando por todos os lugares onde estou e não estou, inclusive em você.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
"E lembro tão bem que ainda que não tivesse sido ontem, continuaria sendo ontem na memória - quando comecei a cantar um samba antigo, que nem lembrava mais porque acordava em mim uma coisa que eu não seria outra vez. Foi então que eu sentei ao teu lado e não compreendendo, te disse que não, te disse inúmeras vezes que não, que não era bom, que não era justo, que não era preciso. E que o tempo todo aquele samba antigo dizendo que era melhor ser alegre que ser triste ficava me machucando no fundo de tudo o que dizias e pensavas em relação a ela e que eu queria chorar um três cinco sete dias sem parar sentindo vontade mansa de voltar mais tarde, bem mais tarde."
pois é, a morte me cairia bem, mas é melhor passar para o próximo pensamento, antes que este pensamento seja a última coisa que eu faça...
pois é, a morte me cairia bem, mas é melhor passar para o próximo pensamento, antes que este pensamento seja a última coisa que eu faça...
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Estou cansado de bater e ninguém abrir
Você me deixou sentindo tanto frio
Não sei mais o que dizer
Você me deixou sentindo tanto frio
Não sei mais o que dizer
Te fiz comida, velei teu sono
Fui teu amigo, te levei comigoE me diz: pra mim o que é que ficou?
Fui teu amigo, te levei comigoE me diz: pra mim o que é que ficou?
Me deixa ver como viver é bom
Não é a vida como está, e sim as coisas como são
Você não quis tentar me ajudar
Não é a vida como está, e sim as coisas como são
Você não quis tentar me ajudar
Então, a culpa é de quem? A culpa é de quem?
Então me abraça forte
E diz mais uma vez
Que já estamos
Distantes de tudo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo...
Não tenho medo do escuro
Mas deixe as luzes
Acesas agora
O que foi escondido
É o que se escondeu
E o que foi prometido
Ninguém prometeu
Nem foi tempo perdido
Somos tão jovens...
E diz mais uma vez
Que já estamos
Distantes de tudo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo...
Não tenho medo do escuro
Mas deixe as luzes
Acesas agora
O que foi escondido
É o que se escondeu
E o que foi prometido
Ninguém prometeu
Nem foi tempo perdido
Somos tão jovens...
terça-feira, 9 de novembro de 2010
... Eu parado na porta às quatro da manhã. Você indo embora. Eu me perdendo então desamparado entre cinzeiros cheios e garrafas vazias. Você indo embora. Eu indeciso entre beber um pouco mais ou procurar uma beata em plena devastação ou lavar copos bater sofás guardar discos mastigar algum verso adoçando o inevitável amargo despertar para depois deitar partir morrer sonhar quem sabe. Você indo embora. Acordar na manhã seguinte com gosto de corrimão de escada na boca: mais frustração que ressaca, desgosto generalizado que aspirina alguma cura. Tocaria o telefone? Você indo embora, fotograma repetido. Na montagem, intercalar. Você indo embora você indo embora. ...
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Descemos juntos no Paraíso. Viramos os últimos bares, eu e Pedro, bebendo cerveja com Steinheger, depois conhaque à medida que a noite esfriava. Falávamos como se nos conhecêssemos há anos. Há vidas quem sabe. Quando todos os bares fecharam e o dia começava a nascer nos lados da aclimação, convidei-o para vir até o apartamento onde eu morava há menos de um mês, desde que Lídia se fora. Não havia quase nada lá. Um colchão, roupas espalhadas, discos, livros, uma garrafa de vodca ou uísque pela metade. Sentados no chão, ficamos bebendo, fumando, ouvindo uma velha fita de Bola de Nieve que, não sei porque, ele trazia no bolso. Cada vez mais clara, a luz da manhã varava as folhas de jornal que eu colara nas vidraças. Feito uma cortina de crimes, intrigas e miséria. Tínhamos quase a mesma idade, nenhum dinheiro, mulher ou filho. Ríamos sem parar das nossas vidas e das alheias. Bola de Nieve cantava yo era como una barca solitária en el mar y surgiste en mi vida. Ficávamos cada vez mais bêbados. Tentei levantar para fazer café, mos Pedro tornou a encher os copos. E me puxou para junto dele, contando que morava longe, que não queria voltar para casa naquela noite, que brigara com o irmão, a cunhada, Os sobrinhos. A voz de Pedro era rouca e lenta. Mau rouca e mais lenta por causa da bebida, dos cigarros, das palavras muitas, da manhã nascendo.
Comecei a cochilar enquanto ele perguntava se podia ficar ali, se podia ficar comigo. Claro que sim, era tão simples. Quase dormi, não lembro. Quando acordei, ele me beijava. O beijo de Pedro não era desses de amigo bêbado, encharcado de álcool e solidariedade masculina, carência etílica ou desespero cúmplice. A língua de Pedro dentro da minha boca era a língua de um homem sentindo desejo por outro homem. Ele era bonito. Todo claro, quase dourado. Tentei afastá-lo, repetindo que nunca tinha feito aquilo. Eu gostava de mulher, eu tinha medo. Todos os medos de todos os riscos e desregramentos. Ele beijava minha boca, minha faces, meus olhos, meus cabelos, minhas mãos, meu pescoço, meu peito, minha barriga. Eu parecia uma donzela assustada. Eram ásperas demais as barbas amanhecidas roçando uma na outra, os músculos duros dos braços, das pernas, os cabelos raspados na nuca, os pêlos no peito. O cheiro, os toques, todo o resto: inteiramente diverso do amor de uma mulher, que era o que eu conhecia. Pouco e mal, e quase sem prazer, mas era assim que tinham me ensinado que devia ser. Assim eu conhecia o amor das mulheres. No meu ouvido, Pedro repetia que não podíamos fugir daquilo, que estávamos predestinados, que fora um encontro mágico, que precisava de mim para não morrer de solidão e abandono e tristeza. Eu deixava que repetisse todas essas coisas de fotonovela, de melodrama, de latino América, que continuasse a me beijar. Dormimos juntos vestidos, abraçados. Quando acordei, pelo apartamento não havia outro vestígio dele além dos filtros brancos dos cigarros que fumava, no cinzeiro cheio. Eu não sabia se voltaria a encontrá-lo, eu não sabia se queria que voltasse. Eu estava aterrorizado pela idéia de gostar de outro homem. Ele voltou, dias depois. Quando Pedro voltou, estava anoitecendo. E foi como se todas as luzes da casa se
acendessem ao mesmo tempo. E nós jantamos juntos, fomos ao cinema, ao teatro, ouvimos música, sentamos nos bares, acendemos os cigarros e enchemos os copos um do outro. Durante semanas fizemos todas essas coisas que as pessoas fazem quando querem ficar juntas, vivendo uma a vida da outra. Depois voltávamos para casa e ele sempre tornava a me beijar, insistindo que fôssemos para a cama. Tú no sospechas cuando me estás mirando, ele cantava com Bola de Nieve. Durante meses, os dois em pé, os paus duros apertados um contra o outro na porta de saída. De madrugada, eu conseguia mandá-lo embora para a Luz, Tiradentes, Ponte Pequena, nunca soube onde. Eu deitava sozinho, sem lavar as mãos ou o rosto, para guardar seu cheiro. E me masturbava noite após noite, até ficar esfolado, pensando no corpo e na cara de Pedro, em todas as formas de penetrar e ser penetrado por ele. Eu não cedia, eu tinha medo. Certa noite, talvez tivéssemos bebido demais, Ou não bebido nada, talvez estivéssemos, eu e Pedro, exaustos daquele jogo que não era jogo, ele deitou na minha cama, me puxou para o seu lado. Eu rolei por cima, pelo lado, por baixo dele, morto de riso. Ele tirou minha roupa, lambeu todo meu corpo, me virou de bruços e me possuiu como um homem possui outro homem. Eu senti primeiro dor, depois medo, depois prazer. Como sente um homem penetrado pela primeira vez por outro homem. Mas nojo não, nem desprezo ou vergonha. Só alegria, eu senti com Pedro. Uma alegria que era o avesso daquela que tinham me treinado para sentir. Na manhã seguinte, ficamos o dia todo na cama, ouvindo Bola de Nieve, pedindo pizzas e cigarros e cervejas por telefone. Quando anoiteceu, e começava a chover, eu lambi todo o seu corpo, virei-o de bruços e o penetrei também. Como jamais possuíra nenhuma mulher real, nem mesmo Lídia, nenhum ser de fantasia, na palma da minha mão.
Tinha sardas miúdas nos ombros, manchas de ouro. Gosto de sal, cheiro de terra molhada pela primeira rajada de chuva, um triângulo de pêlos nas costas, logo abaixo da cintura. Mordi sua nuca, ele gemeu. Passamos dias assim, Pedro e eu, um dentro do outro. O cheiro, os líquidos, os ruídos das vísceras. O que era de quem, dentro e fora, nós não sabíamos mais. As secreções, as funduras. Os dias se interrompiam quando ele ia embora. Recomeçavam apenas no mesmo segundo em que tornava a chegar. Não sei quanto tempo durou. Só comecei a contar os dias a partir daquele dia em que ele não veio mais. Desde esse dia, perdi meu nome. Perdi o jeito de ser que tivera antes de Pedro, não encontrei outro. Eu queria que voltasse, não conseguia viver outra vez uma vida assim sem Pedro. Nos meses seguintes, não havia nenhum sinal dele pelas ruas, os hospitais, paradas de ônibus, estações de metrô, uma por uma, tarde da noite, amanhecendo nas padarias. Por vezes, na rua, alguém de costas parecia com ele. Parei de trabalhar. Parei de ser e de fazer qualquer outra coisa além de esperar que ele voltasse. Mas Pedro não voltou, eu não voltei. As luzes da casa nunca mais tornaram a acender com sua chegada.
Comecei a cochilar enquanto ele perguntava se podia ficar ali, se podia ficar comigo. Claro que sim, era tão simples. Quase dormi, não lembro. Quando acordei, ele me beijava. O beijo de Pedro não era desses de amigo bêbado, encharcado de álcool e solidariedade masculina, carência etílica ou desespero cúmplice. A língua de Pedro dentro da minha boca era a língua de um homem sentindo desejo por outro homem. Ele era bonito. Todo claro, quase dourado. Tentei afastá-lo, repetindo que nunca tinha feito aquilo. Eu gostava de mulher, eu tinha medo. Todos os medos de todos os riscos e desregramentos. Ele beijava minha boca, minha faces, meus olhos, meus cabelos, minhas mãos, meu pescoço, meu peito, minha barriga. Eu parecia uma donzela assustada. Eram ásperas demais as barbas amanhecidas roçando uma na outra, os músculos duros dos braços, das pernas, os cabelos raspados na nuca, os pêlos no peito. O cheiro, os toques, todo o resto: inteiramente diverso do amor de uma mulher, que era o que eu conhecia. Pouco e mal, e quase sem prazer, mas era assim que tinham me ensinado que devia ser. Assim eu conhecia o amor das mulheres. No meu ouvido, Pedro repetia que não podíamos fugir daquilo, que estávamos predestinados, que fora um encontro mágico, que precisava de mim para não morrer de solidão e abandono e tristeza. Eu deixava que repetisse todas essas coisas de fotonovela, de melodrama, de latino América, que continuasse a me beijar. Dormimos juntos vestidos, abraçados. Quando acordei, pelo apartamento não havia outro vestígio dele além dos filtros brancos dos cigarros que fumava, no cinzeiro cheio. Eu não sabia se voltaria a encontrá-lo, eu não sabia se queria que voltasse. Eu estava aterrorizado pela idéia de gostar de outro homem. Ele voltou, dias depois. Quando Pedro voltou, estava anoitecendo. E foi como se todas as luzes da casa se
acendessem ao mesmo tempo. E nós jantamos juntos, fomos ao cinema, ao teatro, ouvimos música, sentamos nos bares, acendemos os cigarros e enchemos os copos um do outro. Durante semanas fizemos todas essas coisas que as pessoas fazem quando querem ficar juntas, vivendo uma a vida da outra. Depois voltávamos para casa e ele sempre tornava a me beijar, insistindo que fôssemos para a cama. Tú no sospechas cuando me estás mirando, ele cantava com Bola de Nieve. Durante meses, os dois em pé, os paus duros apertados um contra o outro na porta de saída. De madrugada, eu conseguia mandá-lo embora para a Luz, Tiradentes, Ponte Pequena, nunca soube onde. Eu deitava sozinho, sem lavar as mãos ou o rosto, para guardar seu cheiro. E me masturbava noite após noite, até ficar esfolado, pensando no corpo e na cara de Pedro, em todas as formas de penetrar e ser penetrado por ele. Eu não cedia, eu tinha medo. Certa noite, talvez tivéssemos bebido demais, Ou não bebido nada, talvez estivéssemos, eu e Pedro, exaustos daquele jogo que não era jogo, ele deitou na minha cama, me puxou para o seu lado. Eu rolei por cima, pelo lado, por baixo dele, morto de riso. Ele tirou minha roupa, lambeu todo meu corpo, me virou de bruços e me possuiu como um homem possui outro homem. Eu senti primeiro dor, depois medo, depois prazer. Como sente um homem penetrado pela primeira vez por outro homem. Mas nojo não, nem desprezo ou vergonha. Só alegria, eu senti com Pedro. Uma alegria que era o avesso daquela que tinham me treinado para sentir. Na manhã seguinte, ficamos o dia todo na cama, ouvindo Bola de Nieve, pedindo pizzas e cigarros e cervejas por telefone. Quando anoiteceu, e começava a chover, eu lambi todo o seu corpo, virei-o de bruços e o penetrei também. Como jamais possuíra nenhuma mulher real, nem mesmo Lídia, nenhum ser de fantasia, na palma da minha mão.
Tinha sardas miúdas nos ombros, manchas de ouro. Gosto de sal, cheiro de terra molhada pela primeira rajada de chuva, um triângulo de pêlos nas costas, logo abaixo da cintura. Mordi sua nuca, ele gemeu. Passamos dias assim, Pedro e eu, um dentro do outro. O cheiro, os líquidos, os ruídos das vísceras. O que era de quem, dentro e fora, nós não sabíamos mais. As secreções, as funduras. Os dias se interrompiam quando ele ia embora. Recomeçavam apenas no mesmo segundo em que tornava a chegar. Não sei quanto tempo durou. Só comecei a contar os dias a partir daquele dia em que ele não veio mais. Desde esse dia, perdi meu nome. Perdi o jeito de ser que tivera antes de Pedro, não encontrei outro. Eu queria que voltasse, não conseguia viver outra vez uma vida assim sem Pedro. Nos meses seguintes, não havia nenhum sinal dele pelas ruas, os hospitais, paradas de ônibus, estações de metrô, uma por uma, tarde da noite, amanhecendo nas padarias. Por vezes, na rua, alguém de costas parecia com ele. Parei de trabalhar. Parei de ser e de fazer qualquer outra coisa além de esperar que ele voltasse. Mas Pedro não voltou, eu não voltei. As luzes da casa nunca mais tornaram a acender com sua chegada.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Você já esteve apaixonado? Horrivel não é? Te deixa vulnerável. Te abre o peito e te abre o coração e quer dizer que alguém pode entrar em você e te detonar por dentro. Você constrói todas essas defesas. Constrói uma armadura completa, e por anos nada pode te machucar, aí uma pessoa estúpida, nada diferente de qualquer outra pessoa estúpida caminha para dentro da sua vida estúpida… Você dá a essa pessoa um pedaço de você. Essa pessoa não pediu por isso. Essa pessoa fez algo besta um dia, como te beijar ou sorrir para você, e aí a sua vida não é mais sua. O amor toma reféns. O amor entra em você. Te come por dentro e te deixa chorando na escuridão, e frases simples como “talvez devêssemos ser apenas amigos” ou “nossa, que perspicaz” se transformam em farpas de vidro movendo-se para dentro do seu coração. Dói. Não apenas na imaginação. Não apenas na mente. É uma dor na alma, uma dor no corpo, uma dor do tipo que-entra-em-você-e-te-arrebenta. Nada deveria ser capaz de fazer isso. Especialmente o amor. Eu odeio o amor
Neil Gaiman, Personagem Rose Walker in The Sandman
Neil Gaiman, Personagem Rose Walker in The Sandman
Eu fiquei uma porção de tempo tentando ser “legal e maduro”, “uma presença leve e agradável” — porque eu tô ainda muito inseguro de mim mesmo, e não acreditando
absolutamente que alguém possa me curtir bem assim como eu sou. Eu não tenho
quase experiência dessas transações, me enrolo todo, faço tudo errado — acabo me
sentindo confuso. Tudo isso é tão íntimo, e eu já estou tão desacostumado de me
contar inteiramente a alguém, tão desacreditando na capacidade de compreensão
do outro, sei lá, não é nada disso, sabe? Conviver é difícil — as pessoas são dificeis
— viver é dificil paca."
absolutamente que alguém possa me curtir bem assim como eu sou. Eu não tenho
quase experiência dessas transações, me enrolo todo, faço tudo errado — acabo me
sentindo confuso. Tudo isso é tão íntimo, e eu já estou tão desacostumado de me
contar inteiramente a alguém, tão desacreditando na capacidade de compreensão
do outro, sei lá, não é nada disso, sabe? Conviver é difícil — as pessoas são dificeis
— viver é dificil paca."
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Ficar bem nem sempre deixa outras opções. É estranho quando as coisas simplesmente têm de terminar. É o estágio onde todos os sentimentos já evoluíram para um nada. É o nada que você optou para parar de sentir dor. No início você briga, chora, faz drama mexicano. Então percebe que é cansativo demais manter esse jeito de levar as coisas. Acostuma-se. Não que pare de doer, mas que cai no seu entendimento que às vezes perdemos algo e não há solução. No fim você coloca um sorriso no rosto e finge que é sincero, até que a vida o faça realmente ser.
Não espero nenhum olhar, não espero nenhum gesto, não espero nenhuma cantiga de ninar. Por isso estou vivo. Pela minha absoluta desesperança, meu coração bate ainda mais forte. Quando não se tem mais nada a perder, só se tem a ganhar. Quando se pára de pedir, a gente está pronto para começar a receber. O futuro é um abismo escuro, mas pouco importa onde terminará a minha queda. De qualquer forma, um dia seremos poeira. Quem é você? Quem sou eu? Sei apenas que navegamos no mesmo barco furado, e nosso porto é desconhecido. Você tem seus jeitos de tentar. Eu tenho os meus.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
"Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. "
Caio F. Sempre!
Caio F. Sempre!
Tantas vezes dormi vazia e me enchi de você por tantos respiros frenéticos, contidos num espaço de segundo, na etapa curta do sono em que os sonhos acontecem e nada é tão grande que consiga separar a minha boca da sua, a nossa verdade da frieza simétrica do mundo. Tantas outras eu dormi cheia de esperanças e acordei com azia da vida por ter me empanturrado de sonhos e por não terem inventado ainda sal de frutas contra realidade. Mas você continua em mim. Eu posso desligar o computador, posso quebrar a televisão, nunca mais ler jornal, fechar os olhos, apertar os punhos, tapar os ouvidos, encher minha boca de tantas outras palavras, de tantos outros cantos que não falem de você. Mas não, nada adianta. Não te cantar não significa não te escrever nas minhas entrelinhas, tapar os ouvidos não significa não te ecoar o tempo todo dentro de mim, no escuro do que é ser eu. Murros ao vento não impedem a dor, olhos fechados também conseguem chorar sua ausência. Jornal, internet, televisão, fax, rádio, código Morse, sinal de fumaça ... como se a nossa sintonia dependesse mesmo disso. É como naquele clipe do Foo Foghters: ' todas as certezas da minha vida bem na minha frente, depois da parede de vidro '. Incontável o quanto eu prometi a mim mesma não te sofrer, não te lutar, não te falar à quatro ventos pra não te gastar em palavras. Mas você continua latente bem na minha frente, todos os dias, todos os minutos, em cada suspiro de alegria, tristeza ou vazio que saia de mim. Todas as manifestações de vida, na minha, são você. Eu que não sei de tantas coisas, continuo crente no que, pros outros, parece incerto. Eu que sempre fui tão imediata e fugaz, sento agora no cantinho mais confortável de mim, sem aquele desespero do começo, pra esperar você. Eu sei que você vem.
( Rani Ghazzaoui )
( Rani Ghazzaoui )
"...Eu adivinho coisas que não têm nome e que talvez nunca terão. É. Eu sinto o que me será sempre inacessível. É. Mas eu sei tudo. Tudo o que sei sem propriamente saber não tem sinônimo no mundo da fala mas me enriquece e me justifica. Embora a palavra, eu a perdi, porque tentei falá-la. E saber-tudo-sem saber é um perpétuo esquecimento que vem e vai como as ondas do mar que avançam e recuam na areia da praia. Civilizar minha vida é expulsar-me de mim. Civilizar minha existência a mais profunda seria tentar expulsar a minha natureza e a supernatureza. Tudo isso no entanto não fala de meu possível significado.
O que me mata é o cotidiano. Eu queria só exceções.
Estou perdida: eu não tenho hábitos..."
Clarice Lispector
O que me mata é o cotidiano. Eu queria só exceções.
Estou perdida: eu não tenho hábitos..."
Clarice Lispector
Vai sim, vai ser sempre assim
A sua falta vai me incomodar,
E quando eu não agüentar mais
Vou chorar baixinho, pra ninguém ouvir.
Vai sim, vai ser sempre assim,
Um pra cada lado, como você quis
E eu vou me acostumar,
Quem sabe até gostar de mim.
Mesmo que eu tenha que mudar
Móveis e lembranças do lugar,
O meu olhar ainda vê o seu
Me devorando bem devagar.
A sua falta vai me incomodar,
E quando eu não agüentar mais
Vou chorar baixinho, pra ninguém ouvir.
Vai sim, vai ser sempre assim,
Um pra cada lado, como você quis
E eu vou me acostumar,
Quem sabe até gostar de mim.
Mesmo que eu tenha que mudar
Móveis e lembranças do lugar,
O meu olhar ainda vê o seu
Me devorando bem devagar.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
terça-feira, 26 de outubro de 2010
em nenhum sentido, eu preciso me acostumar a ser só denovo, me acostumar com o vazio e conseguir me sentir pleno, Só. E assim conseguir voltar pra cama com qualquer um, como costumava ser antes , mas agora não consigo, porque qualquer resquício, qualquer raspa, qualquer resto vomitado de qualquer pessoa neste momento eu receberia como se fosse um presente, como se fosse ouro, como se fosse diamante, como se fosse verdadeiro, como se fosse o que não é.
Gil F.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Tati Bernardi - A espera
Atrás da pista tem um bar e atrás do bar tem um sofá. Estou sentada nesse sofá. Aguardo ansiosa por algo, olho as horas no celular, checo o e-mail pelo Iphone, reclamo com minha amiga “tá demorando”. Ela me pergunta se é o show, se é a menina passar com a comida. O que é? Não sei. Mas tá demorando. Em cima do bar, no teto, tem um daqueles globos que sempre tem. Olho pro globo e penso que estou uma eternidade sentada naquele sofá. Mais de trinta anos? Descanso os cotovelos nos joelhos e me arrependo, enquanto todos querem ver e ser vistos, eu fico nessa posição feia de vaso sanitário. Minha amiga vai fumar. Eu me animo “já tenho pra onde ir”. Eu não fumo, eu odeio cigarro, eu odeio atravessar a festa inteira pra chegar até lá fora, eu odeio a amizade instantânea das rodinhas de fumantes que não se conhecem, eu odeio festas em geral, eu odeio papos de festa, eu odeio conhecer gente que não tem nada a ver comigo, e sorrir para os papos mais furados do mundo. Mas eu já tenho pra onde ir. E vou. E ao chegar lá fora, continuo achando que está demorando. Sinto falta do sofá agora. Mas quando minha amiga acabar o cigarro, eu já terei novamente pra onde ir. E assim uma festa chata me lembra muito a vida. A eterna oscilação entre ir lá fora ver e voltar pro sofá, sempre só pra ter pra onde ir. Chegou agora um ex amor. Ele entra com sua esposa. Ele me abraça enquanto ela segue em frente sem olhar pra trás. Faz aí uns 3 ou 4 anos que não damos um abraço. A gente sempre fugia das festas pra fazer sacanagem no carro dele. Não sinto saudade. Passou, faz tempo, não sinto nada. Nada. Talvez só sinta mais claro o que eu já sentia antes. Antes de sair de casa. Antes de ficar indo do fumódromo pro sofá e vice-versa. Eu só sinto agora, com esse abraço que não me fez sentir nada, com mais clareza, o que eu já sentia antes e muito antes de antes. Eu sinto que está demorando. Eu olho de novo no celular. Eu posso ir ao banheiro e isso já é um lugar para ir. Me animo. Não, não me animo. Tudo me deprime. Eu ficar chupando a barriga pra dentro pra esconder que tenho um pouquinho de pança, eu ficar me equilibrando no salto, eu ficar fazendo minha cara de “não encosta em mim”. Tudo me deprime. As pessoas falando de trabalho, as pessoas forçando falar qualquer absurdo só porque o óbvio seria falar de trabalho. E principalmente: o grupinho de moças muito altas e muito loiras que não trabalham mas estão lá porque estar nesses lugares é o trabalho delas. Tudo é tão chato mas eu fiz cabelo e maquiagem. Antes da meia noite não dá pra ir embora. Preciso me gastar um pouco pra não dormir tão antes de tudo dar errado. Eu sei, eu deveria beber. Mas pra quê? Pra achar essas pessoas legais? Pra suportar o insuportável? Sou cínica demais pra dar esse gostinho ao mundo. E eis que adentra à festa o rapaz que, não faz nem uma semana, me pedia que eu não fosse ainda, só mais um pouquinho, espera amanhecer, porque, depois, você sabe, dá tanto sono. De mãos dadas com a moça que vive dando entrevista dizendo que eles se comem mesmo, o tempo todo. E isso não me dói em nada. Foi só um moço muito bonito que durou uma semana. Mas ele também reforça meu pé inquieto batendo ritmadamente: será que demora? Não sei. Não, não demora mais. Olho pra porta e ele acabou de chegar. Eu fui na festa por causa dele. Então era isso, eu tava esperando o tal do moço que me convidou pra festa. E então ele fala comigo e encosta um pouco em mim e eu penso em ser muito honesta. Olha, fulano, eu acho tudo isso um saco, sabe?
Eu odeio a cordialidade dos bichos. Todo mundo se elogia, fala de trabalho, conhece gente, faz piadinha ruim. Mas tá todo mundo pensando o que vai ter pra comer e também pra comer. Eu vim aqui porque, sei lá, desde que te vi na reunião e eram oito da noite e você estava muito cansado mas, mesmo assim, você estava muito cheiroso e falou coisas muito inteligentes, eu fiquei a fim de te beijar na boca. Então, dá pra pedir pra esse bando de amigo chato, que fica puxando seu saco, desaparecer do mapa? A menina com a perna gorda pode, por favor, nos deixar em paz? Você pode, por favor, parar de mexer no cabelo da minha amiga e parar de dar risadinha no ouvido dela e sumir daqui comigo? Não, ele não pode. Ele não é a resposta. Ah, Tati. Você deveria saber. Eles nunca são a resposta. Nunca foram. Que é que você quer? Por que você olha tanto pro celular? Existe alguém no mundo, nesse momento, que poderia te ligar agora e te deixar feliz? Não. Ninguém é a resposta. Nem o sofá, nem a festa, nem ficar em casa, nem a água com gás, nem olhar com nojo para o grupo de piriguetes vips que não prestam pra nada a não ser frequentar festas para sair em revistas e angariar empresários. Finalmente já tenho o que esperar: o carro. Finalmente já tenho o que fazer: ir embora. Na verdade a única coisa que estou sempre esperando e querendo é ir embora. De todos os lugares, de todas as pessoas. Eu não estou esperando nada a não ser o tempo todo sair de onde eu estou.
estava procurando um texto que descreve-se como venho me sentindo em relação à tudo e à todos, acho que não poderia ter achado um melhor ou escrito um melhor...é exatamente deste jeito que me sinto em todos os lugares, em todas as situações, não aguento o estar de nada, não aguento estar em nada, me encontro sempre perguntando as horas, se posso ir embora...não preciso explicar mais nada, o texto já diz por si só...
Eu odeio a cordialidade dos bichos. Todo mundo se elogia, fala de trabalho, conhece gente, faz piadinha ruim. Mas tá todo mundo pensando o que vai ter pra comer e também pra comer. Eu vim aqui porque, sei lá, desde que te vi na reunião e eram oito da noite e você estava muito cansado mas, mesmo assim, você estava muito cheiroso e falou coisas muito inteligentes, eu fiquei a fim de te beijar na boca. Então, dá pra pedir pra esse bando de amigo chato, que fica puxando seu saco, desaparecer do mapa? A menina com a perna gorda pode, por favor, nos deixar em paz? Você pode, por favor, parar de mexer no cabelo da minha amiga e parar de dar risadinha no ouvido dela e sumir daqui comigo? Não, ele não pode. Ele não é a resposta. Ah, Tati. Você deveria saber. Eles nunca são a resposta. Nunca foram. Que é que você quer? Por que você olha tanto pro celular? Existe alguém no mundo, nesse momento, que poderia te ligar agora e te deixar feliz? Não. Ninguém é a resposta. Nem o sofá, nem a festa, nem ficar em casa, nem a água com gás, nem olhar com nojo para o grupo de piriguetes vips que não prestam pra nada a não ser frequentar festas para sair em revistas e angariar empresários. Finalmente já tenho o que esperar: o carro. Finalmente já tenho o que fazer: ir embora. Na verdade a única coisa que estou sempre esperando e querendo é ir embora. De todos os lugares, de todas as pessoas. Eu não estou esperando nada a não ser o tempo todo sair de onde eu estou.
estava procurando um texto que descreve-se como venho me sentindo em relação à tudo e à todos, acho que não poderia ter achado um melhor ou escrito um melhor...é exatamente deste jeito que me sinto em todos os lugares, em todas as situações, não aguento o estar de nada, não aguento estar em nada, me encontro sempre perguntando as horas, se posso ir embora...não preciso explicar mais nada, o texto já diz por si só...
Andei pensando nesses extremos da paixão, quando te amo tanto e tão além do meu ego que - se você não me ama: eu enlouqueço, eu me suicido com heroína ou eu mato o presidente. Me veio um fundo desprezo pela minha/nossa dor mediana, pela minha/nossa rejeição amorosa desempenhando papéis tipo sou-forte-seguro-essa-sou-mais-eu. Que imensa miséria o grande amor - depois do não, depois do fim - reduzir-se a duas ou três frases frias ou sarcásticas. Num bar qualquer, numa esquina da vida.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
“Vivo com essa sensação de abandono, de falta, de pouco, de metade. Mas nada disso é novidade. Antes dele, teve o outro, o outro que continua indo embora para sempre porque nunca foi embora pra sempre. Eu não sei deixar ninguém partir, eu não sei escolher, excluir, deletar. São as pessoas que resolvem me deixar, melhor assim, adoro não ser responsável por absolutamente nada, odeio o peso que uma despedida eterna causa em mim. Nada é eterno, não quero brincar de Deus. “
Tati bernardi
Tati bernardi
terça-feira, 19 de outubro de 2010
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
A: Porque você tá chorando?
B: Ah… [Porque eu te amo e não aguento mais um dia sem você. Porque suas provocações me fazem ficar mal, porque seu desinteresse dói lá no fundinho. Porque eu sinto falta de tudo que nós vivemos, sinto falta dos seus carinhos, seus beijos, sinto falta do jeito como me tratava. Porque você me trata mal, porque você não tá nem aí pra mim, porque eu passo o dia me perguntando como você tá, porque dói saber que você fica com outras, que você faz outra menina sentir tudo que eu sinto. Porque eu to cansada de te amar e não poder demonstrar, to cansada de tentar te mostrar que sinto a sua falta e só levar patada, corte. Porque eu cansei de fingir que é passado, que eu não to nem aí. Porque eu odeio a incerteza, odeio sua indiferença. E principalmente porque eu te amo]. Não é nada, não se preocupa. Já passa.
B: Ah… [Porque eu te amo e não aguento mais um dia sem você. Porque suas provocações me fazem ficar mal, porque seu desinteresse dói lá no fundinho. Porque eu sinto falta de tudo que nós vivemos, sinto falta dos seus carinhos, seus beijos, sinto falta do jeito como me tratava. Porque você me trata mal, porque você não tá nem aí pra mim, porque eu passo o dia me perguntando como você tá, porque dói saber que você fica com outras, que você faz outra menina sentir tudo que eu sinto. Porque eu to cansada de te amar e não poder demonstrar, to cansada de tentar te mostrar que sinto a sua falta e só levar patada, corte. Porque eu cansei de fingir que é passado, que eu não to nem aí. Porque eu odeio a incerteza, odeio sua indiferença. E principalmente porque eu te amo]. Não é nada, não se preocupa. Já passa.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Hoje me lembrei do teu sorriso como se fosse a última e única lembrança que tenho de ti. Hoje a saudade me abraçou apertado, parece até que anda malhando, está com braços de pugilista. Hoje as minhas lágrimas brotaram grossas, iguais as que escorriam pela sua face a última vez que te vi. Hoje o tempo anda cansado e ofegante.Hoje a vida é dura como sempre foi, a diferença é que cada vez mais percebo sua dureza. Hoje estou de pés no chão, descalçada dos sonhos que tivemos um dia, e como isso é cruel, mas o concreto gelado me acalma e me faz promessas. Hoje meu medo é maior, maior que a paixão insana que tivemos maior que o amor que tivemos. Meu medo é maior, pois não é aquele medo que tinha de te perder, mas sim, medo de nunca mais te ter. Hoje não sei se você foi real ou apenas mais uma de minhas personagens. A vida talvez fosse cômica hoje, tanta coisa irônica acontece, talvez eu até risse, mas hoje me lembrei do teu sorriso e chorei.
Você não precisa saber que eu choro porque me sinto pequeno num mundo gigante. Nem que eu faço coisas estúpidas quando estou carente. Você nunca vai saber da minha mania de me expor em palavras, que eu escrevo o tempo todo, em qualquer lugar. Muito menos que eu estou escrevendo sobre você neste exato momento. E não pense que é falta de consideração eu dividir tanto de mim com tanta gente e excluir você dessa minha segunda vida, porque há duas maneiras de saber o que eu não digo sobre mim: lendo nas entrelinhas dos meus textos e olhando nos meus olhos. E a segunda opção ninguém mais tem.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
"Fim de tarde. Dia banal, terça, quarta-feira. Eu estava me sentindo muito triste. Você pode dizer que isso tem sido freqüente demais, ou até um pouco (ou muito) chato. Mas, que se há de fazer, se eu estava mesmo muito triste? Tristeza-garoa, fininha, cortante, persistente, com alguns relâmpagos de catástrofe futura."
terça-feira, 5 de outubro de 2010
"Posso não saber nada do coração das gentes, mas tenho a impressão, de que, de tudo, o pior é quando entra a segunda parte da letra de “Atrás da porta”, ali no quando “dei pra maldizer o nosso lar pra sujar teu nome, te humilhar”. Chico Buarque é ótimo pra essas coisas. Billie Holiday é ótima pra essas coisas. E Drummond quando ensina que “o amor, caro colega, esse não consola nunca de núncaras”. Aí você saca que toda música, toda letra, todo poema, todo filme, toda peça, todo papo, todo romance, tudo e todos o tempo todo, antes, agora e depois, falam disso. Que o que você sente é único & indivisível e é exatamente igual à dor coletiva, da Rocinha a Biarritz."
E quem canta melhor essas dores? as minhas, as suas, as nossas...
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Só, condenado a uma imagem que não é, ausente de si mesmo, sempre distante de onde está, exilado em uma ilha, procurando por algo que nunca esteve ao seu lado e talvez jamais esteja, buscando nos lugares mais escuros um razoável motivo para continuar, simplesmente por continuar, como tudo lhe parece impossível, é do impossível que ele continua vivendo, rindo do desespero, cada vez mais entregue aos vícios que não suprem mais a falta que ele sentia , já que neles ele se escondia para não encarar o abismo de si, o grande vácuo entre ele e o mundo, os sentimentos e as pessoas (...)Nesses dias de reflexão, dias infelizes que insistem em continuar, ele se sente como uma tela em branco, prestes a ser pintada, a tinta fresca, os sentimentos à flor da pele, as idéias na cabeça, tudo ali, pronto para que a pintura desse certo, mas que por algum motivo não deu, por algum motivo a tela foi esquecida no fundo do porão de algum ateliê, sujo, frio, escuro, pó, teias, cinzas...um quadro triste de vinte anos (...)
Ontem de manhã quando acordei
Olhei a vida e me espantei
Eu tenho mais de 20 anos
E eu tenho mais de mil perguntas sem respostas
Estou ligada num futuro blue
Os meus pais nas minhas costas
As raizes na marquise
Eu tenho mais de vinte muros
O sangue jorra pelos furos pelas veias de um jornal
Eu não te quero
Eu te quero mal
Essa calma que inventei, bem sei
Custou as contas que contei
Eu tenho mais de 20 anos
E eu quero as cores e os colirios
Meus delirios
Estou ligada num futuro blue
Ontem de manhã quando acordei
Olhei a vida e me espantei
Eu tenho mais de 20 anos
Olhei a vida e me espantei
Eu tenho mais de 20 anos
E eu tenho mais de mil perguntas sem respostas
Estou ligada num futuro blue
Os meus pais nas minhas costas
As raizes na marquise
Eu tenho mais de vinte muros
O sangue jorra pelos furos pelas veias de um jornal
Eu não te quero
Eu te quero mal
Essa calma que inventei, bem sei
Custou as contas que contei
Eu tenho mais de 20 anos
E eu quero as cores e os colirios
Meus delirios
Estou ligada num futuro blue
Ontem de manhã quando acordei
Olhei a vida e me espantei
Eu tenho mais de 20 anos
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Eu conheci razoavelmente bem Clarice Lispector. Ela era infelicíssima, Zézim. A primeira vez que conversamos eu chorei depois a noite inteira, porque ela inteirinha me doía, porque parecia se doer também, de tanta compreensão sangrada de tudo. Te falo nela porque Clarice, pra mim, é o que mais conheço de GRANDIOSO, literariamente falando. E morreu sozinha, sacaneada, desamada, incompreendida, com fama de "meio doida”. Porque se entregou completamente ao seu trabalho de criar. Mergulhou na sua própria trip e foi inventando caminhos, na maior solidão. Como Joyce. Como Kafka, louco e só lá em Praga. Como Van Gogh. Como Artaud. Ou Rimbaud. (Caio F.)
“... Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar, mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas duas pernas. Sei que somente com as duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar.”
Clarice Lispector.
( me dói sua perda, minha perda...)
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Há Dias...
É que tem dias mais secos, mais ásperos: dias em que é difícil até mesmo trazer alguma seiva lá de baixo.
Nesses dias, nada me toca ou compreende: o frescor sagrado dos pães, a sinfonia surda das águas, o grito preto do café sobre a mesa. Nem mesmo o cigarro me quer ou fascina.
São dias em que ando tonta por cômodos escuros, esgueirando-me por paredes, cuidadosa a cada passo. Dias em que tudo me exaspera: meu riso, meu choro, meus copos... E é quando me canso de mim: de meu tom, dessa secura que me toma, da estranheza que floresce em cada quarto... desse meu secreto modo de estar entre os esgotados, os desvalidos. Entre os que desfilam, sedentos, no desconcerto do mundo...
Nesses dias, nada me toca ou compreende: o frescor sagrado dos pães, a sinfonia surda das águas, o grito preto do café sobre a mesa. Nem mesmo o cigarro me quer ou fascina.
São dias em que ando tonta por cômodos escuros, esgueirando-me por paredes, cuidadosa a cada passo. Dias em que tudo me exaspera: meu riso, meu choro, meus copos... E é quando me canso de mim: de meu tom, dessa secura que me toma, da estranheza que floresce em cada quarto... desse meu secreto modo de estar entre os esgotados, os desvalidos. Entre os que desfilam, sedentos, no desconcerto do mundo...
"Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra" Caio F.
Juntos caminhamos em nosso deserto, onde todos nos observam, mas raros podem entrar, escondemos as lágrimas, erguemos a cabeça e brindamos a qualquer coisa que seja , talvez por termos nos encontrados e sabermos que sentimos e enxergamos a vida desta bendita/maldita forma de ser e sentir, penso com o carinho que me é negado, que em nossos momentos eu quase me sinto feliz, digo isso porque não entendo essa tal felicidade que insistem em procurar e digo quase, porque tudo na minha pequena vida é um quase, e assim completo de dúvidas, ausente de respostas e quase sempre embriagado, que penso em você, e te sinto, e te quero bem e te Amo Antônio Carlos Júnior.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Tinha desejos violentos, pequenas gulas, ciúmes que doíam, urgências perigosas, enternecimentos melados, ódios virulentos.
Ouvia canções lamentosas, bebia para despertar fantasmas distraídos,
chorava excessivamente, relia ou escrevia cartas apaixonadas,
transbordantes de rosas e abismos.
Exausto então, afogava-se num sono por vezes sem sonhos...
Ouvia canções lamentosas, bebia para despertar fantasmas distraídos,
chorava excessivamente, relia ou escrevia cartas apaixonadas,
transbordantes de rosas e abismos.
Exausto então, afogava-se num sono por vezes sem sonhos...
Caio F.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Queria que você gostasse de mim por mim. Caótico, distraído, perigosamente despreocupado. Meio despenteado, tão preocupado com coisas vagas. Queria que você também se encantasse com minhas imperfeições, os trejeitos que nem vejo, meus vícios e virtudes, Eu sei o que você pensa quando olha pra mim. Talvez se eu fosse mais comportada, falasse mais baixo e não chamasse tanta atenção. Talvez se eu bebesse um pouco menos, te desse menos trabalho e não fosse tão do agora. [...]
Talvez haveria alguma possibilidade.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
"Estranho é que não escolhi. Não consigo precisar o momento em que escolhi. Nem isso, nem qualquer outra coisa, nem nada. Foram me arrastando. Não houve aquele momento em que você pode decidir se vai em frente, se volta atrás, se vira à esquerda ou à direita. Se houve, eu não lembro. Tenho a impressão de que a vida, as coisas foram me levando. Levando em frente, levando embora, levando aos trancos, de qualquer jeito. Sem se importarem se eu não queria mais ir. Agora olho em volta e não tenho certeza se gostaria mesmo de estar aqui. Só sei que dentro de mim tem uma coisa pronta, esperando acontecer.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
E de vez em quando tudo o que a gente quer é mesmo dar um tempo da vida .E decidiu : Vou viajar . Porque não morri, porque é verão, porque é tarde demais e eu quero ver, rever, transver, milver tudo que não vi e ainda mais do que já vi, como um danado, quero ver feito Pessoa, que também morreu sem encontrar . Maldito e solitário, decidiu ousado : Vou viajar .
terça-feira, 21 de setembro de 2010
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Ontem foi aniversário de uns dos grandes e poucos amores da minha vida, Caio Fernando Abreu, se ele estivesse vivo, estaria fazendo 62 anos de idade, pensando melhor Caio estará vivo para sempre, ele esta vivo na vida das pessoas que o lêem, eu por exemplo, Caio é vivo em mim todos os dias, nunca me esqueço da primeira vez que li seu vonto, "À beira do mar aberto" ,você me invadiu de um jeito, não conseguia acreditar como uma pessoa vivia, pensava, sentia, sonhava exatamente da mesma forma que eu, e dividia todo essa fardo de uma forma maravilhosa, escrevendo com todo o amor e a saudade de sempre, desculpa a minha audácia de tentar escrever alguma coisa pra você, o Melhor escritor, agradeço por você existir, e não me deixar sozinho, não há um dia que eu acorde e não pense em uma frase, trecho, ou um conto seu. Hoje o que eu mais queria era poder te abraçar, te tocar, ouvir tua voz, qualquer coisa que viesse de você, queria poder deitar no teu colo e chorar, chorar até esvaziar, sei que não precisaria te dizer uma palavra para que você soubesse o porque do meu choro, e isso é o que eu preciso, mas aperto forte os teus livros e sei que você esta ali.
Mas como você me ensinou "no que depender de mim me recuso a ser infeliz", nós só queriamos ser feliz né Caio.
Meu amor, CFA.
"... que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria.Tomara que apesar dos apesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz."
passo uma semana a banchá e arroz integral, absolutamente santa,
absolutamente pura, absolutamente limpa, depois tomo outro porre, cheiro
cinco gramas, bato o carro numa esquina ou ligo para o cvv às quatro da
madrugada e alugo a cabeça dum panaca qualquer choramingando coisas tipo
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
- Que coisas - eu perguntei em voz baixa -, que coisas você pensa?
Ele passou a mão pela parede branca:
- Deitar do lado dele. Sem roupa. Abraçá-lo com força. Beijá-lo. Na boca. - Crispou a mão na parede e puxou-a para junto do corpo, para o meio das pernas. - Deve ser o vento norte, esse excesso de luz, a primavera chegando, a lua quase cheia. Não sei, desculpe. Eu estou muito confuso.
Ele passou a mão pela parede branca:
- Deitar do lado dele. Sem roupa. Abraçá-lo com força. Beijá-lo. Na boca. - Crispou a mão na parede e puxou-a para junto do corpo, para o meio das pernas. - Deve ser o vento norte, esse excesso de luz, a primavera chegando, a lua quase cheia. Não sei, desculpe. Eu estou muito confuso.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Quando vai dando assim, tipo umas onze da noite, o horário que a gente se procurava só pra saber que dá pra terminar o dia sentindo algum conforto. Quando vai chegando esse horário, eu nem sei. É tão estranho ter algo pra fugir de tudo e, de repente, precisar principalmente fugir desse algo. E daí se vai pra onde?
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Por um milésimo de segundo eu fechei os olhos e senti meu peito esvaziado de você. Foi realmente quase. Acho que estou andando pra frente. Ontem ri tanto no jantar, tanto que quase fui feliz de novo. Ouvi uma história muito engraçada sobre uma diretora de criação maluca que fez os funcionários irem trabalhar de pijama. Mas aí lembrei, no meio da minha gargalhada, como eu queria contar essa história para você. E fiquei triste de novo."
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